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Interney, pioneiro da blogosfera, conta como ganhar dinheiro com a internet - Parte 1

Um dos pioneiros da blogosfera brasileira, Edney Souza, mais conhecido como Interney, é um dos nomes mais conhecidos e respeitados do marketing digital brasileiro. Em uma papo exclusivo com o UOL Host, ele falou sobre a sua trajetória como empreendedor no mundo digital e compartilhou suas visões sobre o atual cenário de mídias sociais no Brasil.

Como a conversa foi muito bacana (e também bastante longa), vamos dividir a entrevista em dois posts. Fique ligado e aguarde o próximo!

Edney, você foi um dos primeiros blogueiros independentes a ganhar dinheiro com a internet no Brasil. Qual foi a fórmula do seu sucesso?

Eu trabalhava com desenvolvimento de software até 1995. Foi quando usei a internet pela primeira vez e entendi que estávamos testemunhando o nascimento da próxima grande plataforma de computação. Primeiro veio o DOS, depois o Windows, e agora era a vez da Web. Fiz meu primeiro site em 1997, mas só como passatempo mesmo. Meu emprego como desenvolvedor de software corporativo continuou indo muito bem. O site que eu fiz pra testar acabou sendo um espaço para eu postar conteúdos que eu achava úteis e interessantes, como tutoriais de como fazer as coisas na internet. Alguns artigos acabaram viralizando e o site foi crescendo, até que tive que mudar de um servidor gratuito para um pago. Aí a coisa começou a ficar cara e comecei a tentar descobrir como eu poderia bancar os custos e ganhar alguma coisa com esse site. Foi quando comecei a pesquisar sobre publicidade, banners, programas de afiliados, etc. Em dois meses eu consegui zerar a conta do site. Fiquei bem satisfeito com o resultado, pois não tinha nenhum conhecimento de marketing ou de publicidade. Ao mesmo tempo, via notícias de negócios de internet que tinham fechado porque as empresas não conseguiam monetizar. Então eu pensei: “Poxa, não parece tão difícil assim. Talvez eu tenha um talento para essa área que ainda não está sendo muito explorada. Vou me aprofundar nisso”. Resumindo, em 2004 eu estava ganhando mais dinheiro com publicidade no meu site do que no meu emprego como gerente de sistemas. Em 2005,  decidi viver exclusivamente do site, que na época já se chamava Interney Blogs e agregava diversos blogs. Depois disso tive minhas próprias agências de mídias sociais e conteúdos e trabalhei como executivo em uma empresa de tecnologia para publicidade online. Hoje sou consultor independente de marketing em mídias sociais, além de dar aulas, e fazer palestras e eventos. Mas até hoje eu tenho uma receita de banner do site. Não é minha principal fonte de receita, mas, mesmo sendo menos atualizado, o conteúdo que está lá ainda tem mais de 1 milhão de pageviews por mês. É uma audiência significativa.

É possível colocar em prática ainda hoje a receita que você usou lá atrás?

É possível, mas hoje precisa de muito mais especialização. Hoje, qualquer assunto que você buscar no Google, vai encontrar alguém que está produzindo conteúdo sobre ele. Bem no comecinho, você descobria o que é que não tinha muito na internet e colocava lá. Tinha muito espaço para colocar coisas novas na internet. Depois veio uma outra onda, que era criar conteúdo especializado com profundidade. Nessa época, já tinha muito conteúdo na internet, mas nem tudo com a devida profundidade. Hoje é muito mais uma questão de estilo. Você tem várias fontes explicando um assunto, algumas de um jeito mais sério, outras de um jeito mais divertido, e as pessoas escolhem aquele estilo com o qual elas se identificam mais. Então hoje você precisa fazer um estudo mais emocional do publico alvo para entender como ele quer receber aquela notícia. Isso acaba favorecendo quem tem um talento natural para falar sobre um determinado assunto de uma determinada forma. Se você fizer um bom trabalho estratégico, um bom trabalho de pesquisa, você consegue ainda encontrar o seu nicho para produzir conteúdo, mas obviamente da muito mais trabalho.

É mais fácil ganhar dinheiro com blog hoje que no passado?

Hoje você tem uma diversidade maior de formas de monetização, então  consegue extrair mais dinheiro da sua audiência do que antigamente. Temos ferramentas de publicidade mais inteligentes, que analisam quem é o leitor e mostram uma propaganda de acordo com o perfil do cara e não necessariamente do conteúdo que está sendo exibido. Chega uma hora em que a publicidade baseada em contexto começa a ser invisível. Você entra em um site de futebol e tem um anuncio de bola, de chuteira, de camisas de times. Você não distingue muito aquilo ali de um conteúdo. Mas se você entra em um site de futebol e tem um vestido de noiva em um anúncio, você vai parar para ver. E por que um vestido de noiva aparece lá? Porque a mulher que está acessando o site de futebol entrou antes em um site de casamento e o mecanismo de marketing mostra um anúncio mais contextualizado para ela. Esse anúncio grita, pisca em neon, porque ele é completamente diferente do contexto.

O conteúdo patrocinado é uma forma de monetização que vêm sendo muito usada em alguns segmentos, como moda e beleza. Ele funciona bem? Qual a melhor forma de usá-lo?

Você pode fazer de diversas maneiras. Pode publicar um release no seu blog, pode receber um produto e fazer um teste,  pode participar de alguma dinâmica envolvendo o produto da empresa, etc. O importante é identificar o que é patrocinado e o que não é. Quando não da certo, é porque o blogueiro rompeu um contrato ético que tinha com o leitor. “Não Salvo” é um exemplo que eu considero bem sucedido. O Cid não identifica o post, nem bota um banner gigante como outros blogs colocam. Só que ele muda o estilo de linguagem quando ele fala de uma marca. Por exemplo: “a Kuat me convidou para divulgar aqui para você uma promoção que eles estão fazendo do iate com o Latino”, etc. Quando ele escreve dessa maneira, as pessoas têm certeza que é uma propaganda. Se o leitor vai se divertir, vai se informar, vai se entreter com aquilo, ele topa.

Qual é o caminho das pedras para quem quer ganhar dinheiro com conteúdo?

Você tem que pesquisar bem o público alvo, montar um bom projeto editorial,  se adequar a plataformas móveis, e otimizar a produção e a distribuição do seu conteúdo. É importante diversificar as plataformas de publicidade e estar nas redes sociais certas, distribuindo essa informações de forma adequada - às vezes mudando o título, às vezes escolhendo diferentes horários para diferentes redes. Tem muita gente que cria uma fanpage no Facebook e acha que ela vai trazer fama, fortuna e glória, mas está cada vez mais difícil aparecer organicamente no Facebook.

Essa questão da queda do alcance orgânico vem deixando muita gente de cabelo em pé. O que fazer diante desse cenário? 

É uma choradeira que não faz o menor sentido, porque estava óbvio que isso ia acontecer desde o inicio. Você já parou para pensar se você visse todos os conteúdos das fanpages que você curte, como o Facebook ia ser chato? O Facebook esconde o conteúdo de algumas fanpages porque o conteúdo é ruim pra caramba. É uma proteção para o usuário. Quem trabalhou com foco em capturar fãs em vez de desenvolver um trabalho editorial melhor vai ser extinto mesmo, está rumo ao poço de piche. Você perdeu alcance orgânico do Facebook porque em algum lugar do mundo alguém esta produzindo um conteúdo melhor que o seu.

Qual a importância de diversificar os canais, nesse contexto?

É uma estupidez depender de um único canal para distribuir conteúdo. Se o Facebook esta ficando saturado, há plataformas que então crescendo ainda, como o Gogle Plus e o próprio Twitter, que está voltando a crescer. O Linkedin é a rede social mais usada pelas top 500 empresas da Fortune. Ou seja,  tem uma série de plataformas novas (e antigas) para você distribuir seu conteúdo e você vai passar o dia inteiro choramingando que o Facebook roubou o seu doce?

Gostou? Então, corre para ler a parte 2 da entrevista!