LOGO UOL HOST

Receba por e-mail as novidades e publicações da Academia UOL HOST

Interney, pioneiro da blogosfera, conta como ganhar dinheiro com a internet - Parte 2

No último mês, publicamos aqui na Academia UOL Host a primeira parte de um bate papo que fizemos com Edney Souza, o Interney, referência em marketing digital no Brasil.

Agora você pode conferir a segunda parte dessa conversa, em que falamos sobre o uso das mídias sociais para promover seu negócio e vender mais:

É possível sobreviver nas redes sociais só com engajamento orgânico?

Se você faz alguma coisa muito legal, você consegue. O boca a boca funciona muito bem nas redes sociais. Agora, se você não tem nada que faça as pessoas dizerem “uau, que fantástico”, você não vai ter esse alcance orgânico espontâneo tão significativo. Tem uma coisa muito estúpida que um monte de novos empreendedores falam que é: eu não tenho concorrente. Concorrente não é apenas aquele cara que faz a mesma coisa que você faz. As pessoas têm uma limitação de tempo, então hoje pra você fazer uma pessoa parar de gastar tempo com algo e passar a gastar tempo com você, você tem que ter uma oferta mais interessante que de outras empresas que estão disputando a atenção dele. Outro erro que muitos empreendedores iniciantes cometem é achar que o seu produto é o mais incrível do mundo. Legal, mas qual problema ele soluciona? Quanto essa solução é importante para as pessoas? Quanto você consegue convencer as pessoas a pagar isso? O foco deve ser muito mais em quem vai pagar do que no seu ego, no que você é capaz de fazer.
 


Vale a pena então fazer um trabalho orgânico nas redes sociais?

O importante é ter uma visão integrada da estratégia. Uma confusão muito comum que se tem é a ideia de que só fazer pequenos investimentos em Facebook Ads ou links patrocinados vai dar grandes resultados. Hoje em dia, quando as pessoas procuram alguma coisa no Google, elas sabem exatamente que resultados são patrocinados e não clicam necessariamente nos que estão em primeiro lugar. Elas clicam naquele que as deixam mais confiantes de que vão ter o resultado esperado. Geralmente, elas clicam em algum link de uma empresa que elas conhecem. Por isso é importante ter presença em outros canais, como as redes sociais.

Um tempo atrás, fizemos um comparativo de métricas de um site que indicava que a principal conversão vinha de banners. Mas quando pegávamos o histórico,  percebíamos que o primeiro contato que esse cara teve com o site foi no blog. Então esse cara leu um artigo, achou interessante, mas não comprou o serviço naquela hora. Depois ele encontrou um banner, clicou e comprou o serviço.

Como definir em quais redes vale estar presente? Vale sempre a pena investir na onda do momento?

Depende muito. As pessoas falam muito que o Twitter morreu. Eu tenho uma base de mais ou menos 22.000 pessoas que me seguem no Facebook. No Twitter, tenho 120.000 seguidores, mas os ativos são em torno de 30.000. Então eu digo que no Twitter eu tenho 50% a mais de pessoas ativas, só que eu tenho de 5 a 10 mais cliques no meu artigo quando eu posto no Twitter, portanto, para mim, ele é uma ferramenta de conversão muito mais eficiente do que o Facebook. Você precisa medir isso para você tomar as decisões. As pessoas leem um artigo que diz que a nova onda é o Instagram, então todo mundo posta no Instagram. Não estou falando se é ou não para você usar. A questão é que você tem que testar e medir, testar e medir.


Qual é a maneira mais eficiente de usar blogs e redes sociais para vender mais?

Você tem que participar dos vários momentos do processo de decisão de compra do cliente. Primeiro, é importante entender que o cara não entra na internet de manhã, vê um post seu no Facebook, clica e compra. Não é assim. O cara lê sobre você, vê vários posts, pesquisa vários concorrentes, até que decide uma hora comprar. Você tem que participar das várias etapas desse processo.

Imagine que você vai comprar um ar condicionado. Você não acorda um dia e pensa: “nossa, hoje é um dia bom para se comprar um ar condicionado”. Você sofre com o calor vários dias consecutivos, até que você não consegue suportar mais. Aí você vai comprar seu ar condicionado. Primeiro você vê que tem uma tal de BTU, que é uma unidade de m². Você volta e vai medir seu quarto. Depois você vai pesquisar de novo e descobre que tem que ter uma saída de ar. Aí você vai analisar sua casa, ver se você tem como quebrar ou botar pela janela. Então você volta de novo e procura um que você possa instalar nas condições arquitetônicas que você tem. Só aí você começa a ver preços, potencias produtos, fazer um shortlist, pesquisar sobre a reputação das marcas e, no fim de todo esse processo, você vai comprar um ar condicionado. Tem gente que parece viver em um mundo encantado de Alice onde você coloca um anuncio: “aproveite agora ar condicionado tantos BTUs em oferta” e o cara vai acordar de manhã, bocejar e falar: “uau, era isso que eu queria”.

O que você realmente precisa fazer é criar um conteúdo explicando como se faz a mensuração de metragem quadrada, diferentes obstáculos que você pode encontrar para fazer a saída de ar do ar condicionado, quantos BTUs você realmente precisa, quais das diferentes formas de ar condicionado funcionar, como cada um refresca seu ambiente de forma diferente, qual a temperatura ideal para você regular, doenças que podem ser transmitida pelo ar condicionado, que manutenção se deve fazer, etc. Quando você faz um conteúdo desses, o cliente vê você como um especialista mais confiável que o concorrente que só coloca as especificações técnicas.

É igual na loja física. Você vai de loja em loja perguntando sobre o produto. Quando você encontra o primeiro vendedor com paciência de te explicar as coisas, você se sente seguro e é nessa loja que você vai comprar. Esse vendedor não existe presencialmente na internet, mas você pode ter o conteúdo que esse cara transmitiria no blog, no Facebook, e isso é participar do processo de decisão do consumidor.

Quais os cuidados que se deve tomar ao adotar essa estratégia?

Um erro muito comum de quem vai para esse caminho de conteúdo é o cara achar que ele virou revista. Aí ele começa a querer criar conteúdo para ganhar audiência, audiência, audiência e ele não vai viver de audiência, ele vive de vender produtos. Essa explicação que você gera tem que ter um link com o produto lá na frente. O cara que explica quantos BTUs tem no ar condicionado e os problemas arquitetônicos que você tem para lidar com a saída de ar não quer ajudar você a fazer uma reforma na sua casa, ele quer é vender ar condicionado. Muitas pessoas que vão para o caminho da produção de conteúdo esquecem disso, esquecem do  call to action.

Qual o caminho para começar a fazer esse trabalho?

Você precisa montar um projeto editorial, que vai vir da pesquisa de um publico alvo, da análise de concorrentes, da análise de influenciadores e vai requerer também um pouco de feeling, de sensibilidade para a produção de conteúdo. Não tem uma receita de bolo muito simples para seguir. Se você não tem uma formação ou uma experiência em marketing, e nenhum talento natural para a coisa, você vai precisar de alguém que tenha conhecimento para te dar uma assessoria.