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Jonny Ken, novo colunista do UOL HOST, conta 50 curiosidades sobre o Migre.me

O nome parece de gringo, mas Jonny Ken é do Brasil! Embora seja formado em Biologia pela Universidade de São Paulo (USP), não foram as células humanas, mas sim os códigos de programação que trouxeram o sucesso a Jonny, criador do Migre.me, um encurtador de URLs 100% nacional.

Além de fornecer endereços curtos para links da web, o Migre.me apresenta métricas, como número de pessoas atingidas, quantidade de retweets e total de cliques. Não é à toa que o sistema está entre os mais usados no Brasil.

Jonny trabalha com informática desde 1997 e, além do Migre.me, é o criador do Kindim, “as páginas amarelas no Twitter”, e do Podpods, site que agrega podcasts. Jonny já escreveu para diversos sites e blogs de tecnologia e ciência e, a partir deste mês, teremos o prazer de contar com ele, também, como colunista da Academia UOL HOST.

E na sua estreia na Academia, Jonny traz uma lista de curiosidades e fatos de bastidores sobre o Migre.me. Esperamos que vocês curtam!

Por Jonny Ken

50 coisas que você, provavelmente, não sabe sobre o Migre.me

Atualmente, está na moda, entre o pessoal da internet, fazer uma lista de “50 coisas que você não sabia sobre mim”. Como acho que não existam nem 20 coisas interessantes para contar sobre esse que vos escreve, resolvi fazer um post com essa brincadeira, só que falando de 50 coisas que você, provavelmente, não sabia sobre o Migre.me.

Vamos às curiosidades:

1 - Tudo começou na 2ª Campus Party, em 2009. A moda na internet era o “Rick Roll”, que consistia em criar uma notícia falsa absurda, publicá-la na internet e, assim que as pessoas clicassem, fossem redirecionadas a um clipe de Never gonna give you up, do Rick Astley. Resolvi criar um campeonato das mentiras mais clicadas, mas não encontrei um contador de cliques gratuito.

2 - Ainda na 2ª Campus Party, fui conversar com o Alexandre Fugita, um dos jurados da área do concurso de startups do evento. Achei que parte dos projetos apresentados era extremamente simples, e brinquei que, se fosse assim, abriria a minha startup em um dia. Ele duvidou e apostamos.

3 - Peguei a ideia do contador de cliques, pois achei que mais alguém iria precisar. Desenvolvi o Migre.me em três dias. Foi bem rápido, mas, mesmo assim, perdi a aposta para o Fugita.

4 - No meio da programação, imaginei que, além de contabilizar os cliques, também poderia contabilizar os retweets do Twitter. Além disso, com o número de cliques e de retweets, eu poderia fazer uma lista dos links mais interessantes da internet. Assim, o projeto mudou de rumo, deixando de ser um mero contador de cliques para se transformar em um filtro dos conteúdos mais interessantes do dia.

5 - Normalmente, escolher o nome do projeto é uma das partes mais difíceis. Além de um nome sonoro e legal, o domínio deve estar disponível, o que é bem complicado nos dias atuais. O domínio “.me” não era muito usado no Brasil, mas achei que o nome Migre.me era bem sonoro. A ideia é levar o usuário de um lugar a outro.

6 - Os domínios “.me” pertencem a Montenegro, um país do Leste Europeu.

7 - A mascote do Migre.me é um pinguim, porque é um animal que navega e migra. Outra possível mascote seria uma baleia, por também navegar e migrar, mas baleia também significa “travar o sistema”, então achei melhor não usar.

8 - O domínio foi registrado na hora do almoço do dia 30/1/2009.

9 - A primeira URL foi, obviamente, a http://migre.me/0 no dia 1o/2/2009 e direciona para o meu blog. A segunda (http://migre.me/1) também!

10 - A primeira versão entrou no ar em 4/2/2009, em um servidor compartilhado que eu usava para hospedar meu blog.

11 - A primeira pessoa a usar o Migre.me, fora eu, foi o Ricardo Cobra, do blog Homem na Cozinha (http://migre.me/2).

12 - A primeira reportagem falando do Migre.me foi feita ainda no primeiro dia na Startupi, blog que acompanha as startups brasileiras.

13 - A primeira queda no serviço aconteceu quatro horas depois. O gargalo foi porque faltou um índice em uma tabela no banco de dados.

14 - O datacenter americano pediu para o serviço ser retirado do ar, o quanto antes, em razão do alto processo que estava sendo gerado.

15 - A primeira reportagem de jornal foi no Zero Hora, em 11/2/2009, com o título: “Conheça o Migre.me. Como se fosse um Digg Nacional”.

16 - A primeira vez em uma revista foi na edição de março de 2009 da revista Info Exame, com o título: “A Startup de R$ 30,00”.

17 - Aliás, para a criação do Migre.me gastei 30 reais, valor pago no domínio.

18 - A primeira vez na TV foi no programa Scrap MTV, onde a MariMoon apresentou o projeto ao vivo (e deu um medão de travar na hora!).

19 - O primeiro grande boom do Migre.me foi quando o Marcelo Taz usou a ferramenta pela primeira vez. Naquele momento, ele era o brasileiro com o maior número de seguidores do Twitter (se não me falha a memória, com cerca de 30 mil usuários).

20 - O Migre.me não foi o primeiro compactador de URL (já existia o Tinyurl), e nem sequer foi o primeiro brasileiro (já existia o vai.la). Mas foi o primeiro que contabilizava os cliques e também o primeiro que usava esses dados para filtrar conteúdo.

21 - Por sinal, até hoje nunca vi nenhum site no mundo que utiliza esses dados para filtrar conteúdo.

22 - A primeira versão do Migre.me foi feita toda em tabelas. Eu era muito fraco com CSS e, como sempre trabalhei com tabelas, achei que seria bem mais rápido.

23 - Ele foi desenvolvido em PHP em sua primeira versão, e não possuía nada de Javascript, pelo simples fato de também não ser o meu forte.

24 - O banco de dados dele é um MySQL. As pessoas ficam impressionadas ao saber disso, pois para muita gente ele não é um banco que aguente uma tabela tão gigante (um assunto para o próximo post).

25 - Em cinco meses, o Migre.me cresceu o suficiente, a ponto de eu abandonar meu trabalho de gerente de TI em uma empresa em São Bernardo do Campo para abrir, com mais três sócios, uma empresa de desenvolvimento.

26 - Em julho de 2009, o Migre.me foi hospedado, pela primeira vez, no UOL Host.

27 - Em agosto de 2009, o Migre.me recebeu novo layout. Agora sem as tabelas do layout anterior.

28 - Em setembro de 2009, o Migre.me foi reescrito. Agora não mais nos três dias, mas em três semanas, já pensando em todos os problemas que ele tinha passado e iria passar.

29 - Em agosto de 2010, resolvi sair da sociedade e tive de tirar o Migre.me do servidor da empresa. Migrei o Migre.me para um host que fez uma proposta interessante e um preço acessível ao meu atual status de “desempregado”. Passei dois dias sem dormir para migrar todo o banco de dados e, na mudança de agosto para setembro, virei a chave.

30 - Dois dias depois, o novo host perdeu todos os dados e o backup. Nunca mais recuperou os arquivos (e ainda me cobrou o mês da hospedagem).

31 - Postei um vídeo no YouTube falando sobre a perda dos dados. Esse vídeo foi postado em praticamente todos os blogs, jornais e revistas de tecnologia do Brasil.

32 - O pessoal do UOL Host entrou em contato comigo e disse que, como o servidor anterior ainda pertencia à empresa que eu fazia parte, eles tinham o backup semanal de tudo. A empresa liberou o backup para mim e o UOL Host propôs uma parceria que dura até hoje, cheia de amor e carinho!

33 - O Migre.me usou o serviço de Cloud do UOL Host antes mesmo de ele ser lançado para o mercado. E, por sinal, está lá até hoje.

34 - Em outubro de 2010, entrou a última versão do Migre.me, que está no ar até hoje.

35 - Os principais plugins usados para o Chrome e para o Firefox não foram desenvolvidos por mim. Foram criados por dois fãs do serviço, que, por vontade própria, os atualizam até hoje.

36 - Nas eleições de 2010, os quatro principais candidatos à Presidência usaram o Migre.me em suas redes sociais.

37 - A primeira versão do logo do Migre.me foi feita por mim. Era uma versão minha em pixelart fantasiado de pinguim.

38 - O logo do Migre.me atual foi criado pelo bonequeiro Tio Faso do Marcamaria, que também manteve a ideia do garoto fantasiado de pinguim.

39 - Em 2011, o Migre.me foi a terceira URL que mais apareceu no Twitter, atrás do bit.ly e do goo.gl. E também foi até uma reportagem do Blog do Twitter como exemplo de boa utilização da API deles.

40 - Em julho de 2014, o Migre.me chegou a 300 milhões de URLs compactadas. Na época, seria equivalente a 1,6 URLs compactada por segundo.

41 - Em 2011, o Migre.me atingiu a marca de 200 mil usuários ativos e 1 milhão de bookmarks (onde os tweets com links Migre.me são guardados separados por usuários).

42 - Provavelmente, em setembro de 2015 o site atingirá os 400 milhões de URLs compactadas.

43 - Na terceira semana de empresa, recebi a primeira proposta de compra do site, no valor de 3 mil reais. O pior foi que até pensei em vender, já que era 100x o valor que eu tinha investido financeiramente, e o tempo gasto para o desenvolvimento foi extremamente curto.

44 - O recorde de maior número de visitantes foi durante o tsunami no Japão, onde separei uma página com todas as notícias relacionadas à catástrofe e que foram encurtadas pela ferramenta.

45 - Na casa tem um alarme que é disparado, independentemente da hora, se houver qualquer problema, relacionado ao Migre.me, que não for “autoconsertável”.

46 - Todo ano, penso em algo para fazer no aniversário do site e no dia 1º de abril, mas nunca fiz nada (Fuééééééé). Somente na “Hora da Terra” o site muda, ficando todo preto.

47 - A coluna dos tweets foi projetada para ter 180 caracteres (140 caracteres do tweet + 20 do nome do usuário, caso for retweet, + 20 de lambuja para qualquer problema). Só que, quando japoneses e árabes começaram a usar, tive de aumentar o tamanho da coluna dos bancos, pois cada ideograma deles ocupa mais espaço no banco que uma letra normal.

48 - O Migre.me já recebeu quatro multas por spam do pessoal do domínio “.me”, mas, finalmente, eles entenderam que quem dispara os e-mails são os spammers usando links compactados pelo site, não eu. Por causa disso, foi desenvolvida uma ferramenta que verifica se os links clicados em webmails são para sites de spam ou não. Isso reduziu bastante o problema e acalmou os montenegrinos.

49 - Nesses seis anos de Migre.me surgiram, aproximadamente, 20 concorrentes fortes. Alguns até com mais funcionalidades, mas praticamente todos sumiram no meio do caminho.

50 - A mais curiosa de todas: quando eu trabalhava exclusivamente no Migre.me, meu ciclo circadiano não era de 24 horas, e sim de 30 horas. Acabei o ano de 2011, praticamente inteirinho, ficando 22 horas acordado e 8 horas dormindo. Não recomendo isso a ninguém! Risos!