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As vantagens de programar por hobby

Por Jonny Ken

Algumas pessoas são viciadas em séries, outras em livros, em culinária, etc. Eu sou viciado em três coisas: novelas, esportes e Max Gehringer. Sim. Acompanho os trabalhos do Max Gehringer tanto pelo rádio quanto pela TV, e sempre que possível leio as colunas dele na internet, nos jornais e seus livros (inclusive um de futebol).

Um dos assuntos sempre lembrados por ele é a importância do trabalho voluntário, principalmente quando a pessoa não está no mercado de trabalho ou possui algumas janelas nas aulas da faculdade. Usar o tempo livre para se dedicar ao próximo ajuda a ganhar experiência e também a entender como as coisas funcionam, tanto na área em que você atua quanto fora dela. Por exemplo, como pensam ou vivem as pessoas de fora do seu círculo de convivência.

Foi em uma experiência dessas, como professor no Ensino de Jovens e Adultos (EJA), que vi as poucas oportunidades que o mundo dá. Encontrei várias pessoas com 20, 30 e até 50 anos que não tiveram a chance de uma vida melhor pelo simples motivo: falta de pessoas que pudessem ajudá-las.

O que isso tem a ver com o assunto de hoje? Quase nada. Serve, principalmente, para introduzir outro assunto: a falta de desenvolvedores que nunca programaram fora da faculdade ou do trabalho. Acho interessante como diminuiu o número de profissionais no mercado que programam em seus momentos de lazer ou quando estão procurando emprego.

Claro que isso não mede a qualidade de um profissional, mas em uma rápida conversa dá para ver se a pessoa gosta de programar, de desenvolver projetos do zero, cuidando de todas as partes, ou dividi-las, se for com algum amigo. E, principalmente, achar soluções mirabolantes e não tão usuais, já que, normalmente, esses projetos sempre são feitos com fortes restrições orçamentárias.

A meu ver, existem várias vantagens em fazer um projeto próprio, como poder criar sem ter a pressão de concluir o trabalho, poder experimentar novas tecnologias, mudar o rumo graças às novas ideias e até mesmo conversar com outras pessoas sobre o projeto, sem o problema de confidencialidade. Quando a pessoa só programou no trabalho, talvez tenha deixado de lado uma das partes mais legais de desenvolver, que é ver um “filho” seu nascer e crescer.

Lembro que entrei para a faculdade de Biologia em 1995, ano de lançamento da internet comercial no Brasil, e de cara achei interessante a possibilidade de escrever algo que pudesse ser lido por qualquer um no mundo. Um dos primeiros projetos que fiz foi a página do Centro Acadêmico, com agendas, fotos do pessoal, material para download etc.

Não sabia nada, então fiz tudo com um layout fundo azul "#0000FF" e um controle remoto editado no Paint Brush simulando um menu. Aquilo jamais seria aprovado por qualquer designer, mas serviu para eu aprender HTML, PHP anos depois e, o mais importante, entender a importância de sempre ter um projetinho paralelo ao trabalho. E isso me abriu diversas portas.

E é claro que isso vale não somente para programação. Vale para outras áreas de informática, como redes (lembro que cruzamos um cabo de rede na rua só para jogar Duke Nukem 3D com os vizinhos), hardware ou suporte e também para, praticamente, qualquer carreira. Seja criar um blog, participar de fóruns sobre o assunto que você gosta ou até mesmo ensinar isso a outras pessoas. Minha mãe, com seus 65 anos, adora brincar no Photoshop e cuidar de grupos de redes sociais!

Você nunca programou na vida? Vale a pena, mesmo que seja só por lazer. Acho que dá para comparar com outros hobbies que trazem satisfação pessoal depois de concluídos, mas com a vantagem que você correr o “grave risco” de transformar isso na sua carreira. Afinal, assim como quem faz trabalhos voluntários, entrevistadores adoram quem também usa o tempo livre em um projeto com um lado empreendedor. Pelo menos é o que diz Max Gehringer!