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Brincadeira de criança: 6 crianças que "sem querer" viraram empreendedoras

Diz uma música, do grupo infantil Palavra Cantada, que “criança não trabalha, criança dá trabalho”. Bem, há controvérsias. Existem crianças que transformam suas brincadeiras em excelentes fontes de renda. E isso acontece “sem querer querendo”, como se elas estivessem criando uma nova brincadeira.

Para Ana Biavatti, idealizadora e fundadora da Oficina de Negocinhos, que ensina crianças de 6 a 14 anos a empreender, os pequenos não estão necessariamente preocupados em ganhar dinheiro, e sim em explorar novas ideias e possibilidades.

“O verdadeiro sentido de empreender é você ter um sonho e descobrir os caminhos para alcançá-lo”, diz Ana.

Para a especialista, ensinar a molecada a empreender é uma forma de prepará-los para o futuro. “Além de ensinar a importância do planejamento para atingir suas metas, ajuda a desenvolver valores como respeito ao próximo e lealdade”, opina.

Mas no meio do caminho pode, sim, surgir um negócio lucrativo.

Conheça seis histórias de crianças que, despretensiosamente, acabaram exercendo a arte de empreender com maestria.

Biel Baum, chef de cozinha

Com apenas 13 anos de idade, o chef de cozinha mirim Biel Baum faz eventos para crianças e adultos sobre alimentação saudável. O brasileiro acumula em seu currículo dezenas de palestras em diversas cidades do Brasil, Espanha e Suécia. E já se prepara para, no próximo semestre, apresentar-se nos Estados Unidos e no México. Cada palestra dele custa entre 1,2 mil reais e 2 mil reais.

Nesse mês, é a vez da sua segunda apresentação no TEDx, evento que reúne pensadores das áreas de tecnologia, ciência e negócios para discutir soluções acerca desses temas.

O interesse de Biel pela comida saudável começou aos 5 anos, quando decidiu parar de comer carne vermelha. Cansado das restritas opções de cardápio infantil, aos 8 anos começou a ir para a cozinha preparar seus próprios pratos.

Hoje, além dessas palestras, Biel mantém um canal no YouTube de receitas. E já escreveu um livro inspirado no famoso chef de cozinha inglês Jamie Oliver, a quem, inclusive, dedica sua obra.

Meu Diário para Jamie Oliver − Realizando Sonhos e Inventando Receitas já vendeu mais de mil exemplares, e o dinheiro das vendas já tem destino certo.

“O valor arrecadado vai me ajudar a construir uma escola em Cabo Verde, na África”, revela Biel.

E o garoto faz mais planos para o futuro. Pretende abrir seu restaurante com um cardápio infantil bem elaborado, gostoso e saudável.

“Porque nenhuma criança merece só comer nuggets, batatinhas fritas e espaguete à bolonhesa. É igual em todos os restaurantes aos quais eu vou”, explicou o cozinheiro durante sua primeira apresentação no TEDx, em Campos do Jordão, em 2012, como você pode conferir no vídeo abaixo:

Leanna Archer, Leanna’s Hair

O que parecia uma simples brincadeira no porão da sua casa virou um grande negócio nos Estados Unidos, mais precisamente em Nova York. Quando Leanna Archer tinha apenas 8 anos de idade, ela começou a misturar ingredientes e a criar produtos para o cabelo, baseando-se em uma receita de sua bisavó haitiana.

A princípio, os produtos eram apenas para uso próprio. Com o passar do tempo, as pessoas próximas a Leanna ficaram interessadas em consumir seus xampus e cremes. Foi aí que ela decidiu aumentar a produção.

“Eu conhecia tanta gente que queria usar os mesmos produtos que eu estava usando no meu cabelo que isso me deu a ideia de fazer propaganda do produto”,afirmou a jovem empreendedora para o portal BBC Brasil.

Após dez anos do início da criação dos produtos de cabelo, Leanna já chega a faturar cerca de 500 mil dólares em vendas por ano. O negócio cresceu tanto que ela teve de envolver mais oito pessoas no dia a dia da sua empresa.

O próximo passo é sair do porão de casa e se fixar em um espaço próprio. A linha de produtos pode ser encontrada no porão de Leanna ou em sua loja virtual.

Moziah Bridges, Mo’s Bow

Ele só queria se “vestir com estilo” e acabou se tornando um jovem CEO. O menino de 13 anos – que começou a empreender aos 9 – já vendeu mais de 200 milhões de dólares em gravatas-borboletas.

Sua loja virtual, Mo’s Bow, surgiu quando ele procurava por gravatas nesse modelo que fossem “estilosas” e encontrou pouquíssimas opções no mercado.

Na descrição do seu site, ele conta por que gosta desse acessório: “Eu gosto de vestir gravatas-borboletas porque elas me deixam com uma boa aparência e me fazem sentir bem”.

Para o seu negócio crescer, o menino contou com uma forcinha. Ele participou do programa de TV Shark Tank, no qual pessoas comuns apresentam ideias de negócios e podem receber investimentos para viabilizá-las.

E, para a sua alegria, Karen Katz, presidente do Neiman Marcus, e-commerce especializado em comercializar artigos de marcas de luxo, como Christian Louboutin e Prada, viu a participação do menino no programa de TV, gostou da ideia e fechou um contrato com Mo para revender seus produtos.

Cory Nieves, Mr. Corys Cookies

Cansado de pegar ônibus para ir à escola, o pequeno Cory Nieves, de 10 anos, resolveu vender cookies para levantar fundos e comprar um carro para a sua mãe levá-lo ao colégio.

Ele montou uma barraquinha em frente à sua casa, em Nova Jersey, e começou a vender, por um dólar a unidade, seus biscoitos caseiros e 100% naturais. Ganhando clientes fiéis, ele incluiu, posteriormente, limonada e chocolate quente em seu cardápio.

Como não entendia nada de cozinha − na época que começou o negócio era ainda mais jovem, tinha apenas 5 anos − ele contou (e conta até hoje) com a ajuda da mãe para a produção e fornadas.

Hoje, o menino chega a faturar até mil dólares por fim de semana. Qual o segredo do seu quitute? Bem, ele explica em uma entrevista à rede CBS News: “Eles são feitos com amor. E são totalmente naturais, sem nenhum conservante”.

Quanto ao carro de sua mãe, bem, esse ele ganhou ao participar de um programa de televisão nos Estados Unidos, onde também levou 10 mil dólares para investir no seu negócio.

Por enquanto, ele continua com sua barraquinha em frente de casa, mas agora os interessados podem encomendar antecipadamente os cookies pelo site e buscar a encomenda no local.

E, se depender dos planos de Nieves, ele será um empreendedor em série. Conforme conta na entrevista, sua próxima “brincadeira” será na indústria da moda. “Quero ter a minha própria linha de roupas, sob a marca Mr. Cory", revelou o garoto à CBS.

Robert Nay, Nay Games

É difícil encontrar crianças que não gostem de jogar videogame e brincar com aplicativos de dispositivos móveis. Mas a paixão de Robert Nay foi além, e ele decidiu criar seu próprio game.

Em 2011, com apenas 14 anos, ele criou um aplicativo para iPhone que se tornou febre e desbancou o sucesso mundial da época (nada menos que o jogo Angry Birds) do topo da lista de aplicativos mais baixados da Apple Store.

Com menos de uma semana, o jogo gratuito Bubble Ball foi baixado por mais de 2 milhões de usuários. O sucesso surpreendeu até mesmo o garoto.

“Eu não tinha ideia de que iria dar tão certo e se tornaria o jogo mais baixado da loja”, disse o desenvolvedor mirim para o site KSL.com.

Enquanto jogos que chegam às paradas de sucesso, como o Angry Birds, são criados por equipes de desenvolvedores profissionais, o Bubble foi desenvolvido somente pelo menino, em um mês, em um programa chamado Corona SDK (que ele aprendeu sozinho a usar).

Com o sucesso do aplicativo, ele fundou a Nay Games e planeja desenvolver outros produtos, desta vez pagos. Abaixo, você confere um vídeo de demonstração do Bubble Ball. Esse empreendeu brincando, literalmente!

João Pedro Miranda Caldas, Mirim Photos

Ao deixar o Brasil e ir morar na França, João Pedro Miranda Caldas ficou entediado com o novo cotidiano. Lá, nos primeiros meses, ele não tinha amigos e nem sequer falava francês. Para driblar os momentos de solidão, o menino de 13 anos aprendeu a fotografar com o padrasto, a quem, aliás, credita boa parte de seu sucesso.

“Minha mãe e meu pai (mesmo estando no Brasil) me incentivaram bastante, mas o meu padrasto é minha grande inspiração”, conta o garoto.

A partir daí, tirar fotos virou um hobby e até uma fonte de renda para o garoto. Isso porque, ao voltar para sua pátria-mãe, ele criou o site mirim.photos para apresentar o grande acervo de fotos tiradas durante sua estada na Europa.

Precisando de dinheiro para investir em equipamentos fotográficos, ele decidiu vender suas artes. As imagens podem ser adquiridas por 20 reais e são enviadas pelos Correios com uma dedicatória de João. E se engana quem acha que os interessados em suas fotos são apenas amigos e familiares.

“Está dando certo, recebo pedidos de pessoas que não conheço”, conta o fotógrafo.

Viu só? Nunca é cedo ou tarde demais para empreender. Se você tem uma boa ideia, dê asas a ela e invista no seu próprio negócio!