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4 histórias de filhos que ajudaram a empresa de seus pais a prosperar

Empresas familiares se reinventam e fazem sucesso

Herdeiros ocuparem as cadeiras da presidência das empresas da família não é fato incomum. Mas, isso não significa, necessariamente, a continuação do negócio. Muito pelo contrário, estudos mostram que apenas 30% das empresas familiares sobrevivem à segunda geração e apenas 5% à terceira.

⇒ Leia também: 5 cuidados fundamentais para uma empresa familiar sobreviver e prosperar

Para o sucesso das empresas familiares é preciso controle e disciplina. E é primordial que haja interesse das novas gerações pelos negócios. Sem ele, a sucessão já começa fadada ao fracasso.

E foi assim, integrando-se logo cedo na empresa dos pais e se empenhando em seu crescimento, que os filhos, das histórias abaixo, trouxeram novo “gás” para as companhias de seus antecessores, ajudando-as a prosperar. Confira: 

A Tal da Castanha

A genealogia da marca vem de, pelo menos, duas décadas atrás, quando o empresário Antônio José Carvalho comprou uma pequena indústria de castanhas-de-caju no Ceará, que deu origem à empresa Amêndoas do Brasil.

Durante sua gestão, a marca ganhou critérios rigorosos de qualidade, desde a seleção da matéria-prima até a aprovação final dos produtos. Com isso, sua produção passou a ser destinada a todo o mercado nacional e a mais de 20 países.

Sempre acompanhando de perto a evolução do negócio, Felipe Carvalho, filho de Antônio José, ingressou no quadro da empresa recentemente. Ele chegou com a missão de liderar o processo de inovação da marca, com o objetivo de inseri-la no varejo.

“Sempre conversava sobre negócios dentro de casa. Por mais que eu ainda estivesse fora da empresa, sabia o que estava acontecendo. Isso ficava na minha cabeça e sempre pensava: -‘Uma hora vou conseguir agregar e ajudar meu pai a desenvolver o nosso negócio’-”, lembra Felipe.

A partir da mesma matéria-prima e da consciência do core business do pai, no segundo semestre de 2014, o jovem, usando as castanhas da indústria do pai, criou uma nova unidade de negócios da empresa, a marca A Tal da Castanha.

Enquanto o foco da Amêndoas do Brasil são as grandes indústrias e a exportação, a Tal da Castanha fala com o consumidor final e aposta na tendência da alimentação saudável.

A entrada do filho nos negócios também modernizou a empresa, trazendo-a para o ambiente digital e marcando presença no e-commerce.

“Com a entrada do Felipe e a implantação do e-commerce, voltamos os olhos, também, para o varejo, lançando um produto inovador não somente no Brasil, mas no mundo inteiro”, pondera o patriarca.

Mesmo não tendo completado um ano de vida, a expectativa de A Tal da Castanha já é grande: “Este ano pretendemos faturar 5 milhões de reais. Desde o primeiro mês da marca, em janeiro, estamos crescendo a uma média de 40% ao mês, e a expectativa é triplicar nosso faturamento no segundo ano”, projeta Felipe.

Sapeka Lingerie

Foi pensando em oferecer produtos de qualidade que pudessem evidenciar a sensualidade da mulher, que, em 1999, Vasco Loureiro Junior e Nilza Loureiro criaram a Sapeka Lingerie. Inicialmente, a empresa estava voltada para atender revendedores e atacadistas de multimarcas. Mas, em razão da demanda, a marca expandiu seus serviços para lojistas e para o público final de todo o país com a ajuda de sua loja virtual. 

Anos mais tarde, o filho do casal, Wesley Loureiro, envolveu-se em um acidente de trânsito com a caminhonete de seu pai. Para pagar o conserto, o jovem, na época com 18 anos, foi obrigado a participar mais ativamente dos negócios da família.

“Meu pai me entregou uma pasta com um mostruário das peças e me disse que eu teria de atender alguns clientes. Com a comissão das vendas que eu realizasse, pagaria a tal franquia do seguro do automóvel”, lembra Wesley.

A experiência deu certo, e hoje ele é responsável pelo departamento comercial e o e-commerce da empresa. Mas essa ainda é só “parte” do projeto de participação de Wesley nos negócios. Os fundadores da empresa acreditam que o filho deverá assumir a cadeira da presidência quando eles a desocuparem. 

“Vejo e vivo de forma muito tranquila esse processo de transferência de poder para a segunda geração da nossa família. Ele cresceu dentro da Sapeka e, por isso, conhece tão bem o negócio quanto eu”, avalia Vasco.

A empresa, hoje, conta com um centro de distribuição na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo, responsável por distribuir mais de 120 mil peças por mês para todo o país. Além disso, possuem um centro de distribuição fora do Brasil, em Benguela, na África, cidade responsável pela comercialização de mais de 20 mil peças por mês.

“A expectativa é ampliar nossas vendas em 30% até o fim de 2016. E, em três anos, queremos estar comercializando em torno de 60 mil peças a cada mês”, avalia Wesley.

Program Moda Plus Size

Percebendo a dificuldade que as mulheres mais cheinhas tinham para encontrar roupas que aliassem qualidade e tendências da moda no mercado tradicional, o grego Jean Iossephides fundou a Program Moda em 1998.

Após passar anos observando a atividade de seu pai, Alexandre Iossephides, passou de espectador para parte integrante da empresa − que hoje tem mais de 60 lojas físicas distribuídas pelo Brasil, além de uma loja online.

“Minha entrada para a empresa de nossa família foi natural. No início, minha participação foi mais como observador, mas, aos poucos, fui assumindo tarefas e responsabilidades designadas por meu pai”, conta Alexandre.

Hoje, é ele quem comanda a área comercial, o marketing e as estratégias de expansão do negócio, além de tomar diversas decisões estratégicas em conjunto com a equipe da empresa.

O pai assume que com a participação do filho no negócio, a inserção da marca passou a ser muito maior no mercado, especialmente pela aposta no e-commerce, passo dado por Alexandre.

“Desde que iniciou essa operação, no segundo semestre de 2013, conseguimos levar os produtos da Program para mulheres das mais diversas localidades. Já tivemos, inclusive, solicitações de Angola e Rússia”, comemora Jean.

O sucesso do trabalho que envolve pai e filho se mostra, ainda, no crescimento gradual da marca.

“Nossos pedidos vêm crescendo continuamente. Nos últimos meses, eles têm girado em torno de 30%, mesma taxa de crescimento dos clientes nos últimos tempos”, pontua Alexandre.

Reisman Joias

Fundada em 1967 na cidade de São Paulo, a Reisman é conhecida entre as empresas fabricantes de joias do Brasil. Passada de geração para geração, a empresa foi concebida por Manoel José. Mas foi seu filho, Manoel Herculano, que trouxe o mercado do casamento para dentro da marca.

A partir de então, esse nicho passou a ser especialidade do negócio, que hoje está sob os cuidados da sua terceira geração: Maximiliano Ribeiro é o atual gerente de vendas da empresa e neto de Manoel José.

“Desde cedo fui encorajado a ter uma participação em todas as frentes da nossa marca. Mas a minha participação mais ativa se deu a partir de 2008, quando surgiu a oportunidade de expandir o negócio para o ambiente digital. Planejei, executei e acompanho todos os processos de nossa loja virtual”, conta Maximiliano.

Para tanto, ele precisou fazer diversos estudos, além de montar um programa para elencar as barreiras do negócio, que iam desde a falta de experiência com o meio digital até a confiabilidade e a segurança do cliente na hora da compra.

“Montei tudo com bastante autonomia, mas sempre com o acompanhamento do meu pai. E o negócio deu certo, já que hoje temos mais de 100 mil clientes atendidos em todo o território nacional”, conta o gerente de vendas.

Hoje, o fundador da joalheria, Manoel José, já é falecido. Mas o seu filho e pai de Maximiliano, Manoel Herculano, continua participando ativamente das atividades da empresa, supervisionando o trabalho dos funcionários.

“Busco usar a minha experiência de mercado para, juntamente com meu filho, chegarmos à melhor decisão. Na época do meu pai, eu era responsável pela área em que o Maximiliano atua hoje e meu pai ficava com as funções que eu tenho atualmente. Em time que está ganhando não se mexe”, explica Manoel Herculano.