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O que é uma startup e como montar a sua

Uma ideia inovadora capaz de solucionar um problema que afeta muitas pessoas (ou empresas). Poucos recursos financeiros e muita disposição para correr riscos e aprender com cada erro. A busca por um modelo de negócio escalável, com alto potencial de crescimento, em curtíssimo prazo. Combinando todos esses ingredientes, você tem a receita para uma startup.

O termo americano chegou ao vocabulário brasileiro em meados da década de 1990, junto com o forte crescimento da internet no país. Mas, nos últimos anos, o conceito ganhou um novo impulso por aqui, com um aumento significativo no números de empreendedores apostando nesse modelo.

“De maneira prática, uma startup é uma empresa que busca resolver uma dor ou problema de seus clientes, ao mesmo tempo em que tenta descobrir uma maneira de ganhar dinheiro. Ela abraça a cultura de fazer mais com menos, de agir com velocidade e de aprender continuamente”, define Edson Rigonatti, sócio da Astella Investimentos, que investe em negócios inovadores.

Mesmo sendo um fenômeno recente, a Associação Brasileira de Startups (ABStartups) já possui mais de 3150 startups cadastradas em seu banco de dados e estima que existam mais de 20 mil empreendedores que se enquadram nesse perfil no Brasil. A entidade acredita também que, juntas, as startups brasileiras movimentaram 2 bilhões de reais em 2014.

Por que esse negócio é diferente

Apesar de mais numerosas, as startups ainda causam confusão para quem não conhece de perto o mercado. Muita gente ainda acha, por exemplo, que o termo se aplica a qualquer empresa recém-criada. “Enquanto uma empresa já ganha dinheiro executando um modelo de negócio existente, uma startup ainda está em busca do seu”, explica Antônio Ventura, consultor de inovações.

Dentro dessa busca, Yuri Gitahy, investidor anjo e fundador da Aceleradora, lembra de outra característica indispensável às startups. “Elas precisam desenvolver um modelo de negócio que seja repetível e escalável, isto é, que aumente a receita mantendo mais ou menos o mesmo custo”, diz.

Para esclarecer a diferença, vamos a um exemplo. Se um empreendedor abre uma padaria, sua capacidade de crescer está restrita a uma determinada área de atuação, ao número de clientes da região e à sua capacidade de produzir pães. Tudo isso faz com que seu negócio seja pouco escalável – ou seja, tenha limites para crescer. Se quiser continuar ampliando seu negócio, ele terá que abrir uma nova padaria, em outro local – o que exigirá altos investimentos.

Se esse mesmo empreendedor criasse um software online de administração de padarias, ele poderia vender esse único produto para infinitas padarias, espalhadas por todo o Brasil e até em outros países, sem grandes custos adicionais. Ou seja, o negócio é escalável porque seu potencial de crescimento é muito maior e muito mais rápido. 

Inovando na prática

Na teoria, é simples. Mas na prática, o desafio é bem maior. Lançar uma ideia realmente inovadora no mercado exige disposição para correr riscos e aprender com os erros no processo. “Não é para empreendedores de coração fraco”, diz Gitahy. As estatísticas mostram que nove em cada dez startups falham.

Em contrapartida, o modelo traz vantagens. Usando técnicas de desenvolvimento ágil e experimentação, quem se aventura nesse negócio tende a errar mais rápido e perder muito menos dinheiro no processo. Os custos de se criar um negócio online hoje são muito menores que no passado e os recursos são mais acessíveis. Gastando poucos reais é possível colocar um site no ar e começar a promovê-lo para ver se o serviço proposto realmente faz sentido para os consumidores. Tudo isso antes de fazer grandes investimentos.

Por isso, esse mundo tem atraído muitos jovens recém-saídos ou ainda cursando a faculdade. De acordo com a ABStartups, empreendedores entre 20 e 23 anos de idade estão à frente de 55% das startups. Essencialmente, esses jovens têm formação profissional em tecnologia, administração e marketing.

Passo a passo

O primeiro passo para quem quer criar uma startup é identificar um problema que afete determinados grupos de pessoas ou empresas. Um possível ponto de partida é conversar com familiares, vizinhos e amigos. “Você deve fazer um levantamento com outras pessoas para saber se esse problema realmente existe ou é só da sua cabeça”, pondera Ventura.

Em seguida, o empreendedor deve levantar uma série de ideias criativas como soluções para aquele problema. Tudo fica mais fácil com a elaboração de um pré-plano de negócios, no qual devem estar presentes o público alvo, recursos necessários para viabilizar o projeto, canal de divulgação e proposta de valor. Um modelo muito utilizado para isso é o lean canvas, que permite resumir tudo isso em um quadro visual.

A próxima etapa é criar um protótipo (chamado de MVP, sigla para Produto Mínimo Viável em inglês) para testar se a solução pensada realmente resolve os problemas dos usuários. Começa então uma série de experimentos que vão permitir que o empreendedor avance na criação do produto final – ou desista no meio do caminho, se suas hipóteses se provarem infundadas. Tudo isso sempre ouvindo o feedback dos futuros usuários e gastando o mínimo possível. 

Em 2010, Eduardo L'Hotellier, CEO do GetNinjas, percebeu que não existia nenhum canal na internet para prestadores de serviços oferecerem seus trabalhos a clientes. A partir dessa constatação, decidiu criar sua startup. “Esse tipo de site é muito comum lá fora, mas não tinha nada no Brasil”, conta o empreendedor.

Para testar a viabilidade do projeto, ele criou um MVP. “Criei uma versão beta do site, uma plataforma supersimples e operacional. Quando vi que começou a ter uma projeção, passei a me dedicar a aprimorá-lo”, diz L'Hotellier.

Atualmente, o GetNinjas tem mais de 65 mil profissionais cadastrados em todo país, entre pedreiros, diaristas, professores, fotógrafos e outros.

David Abuhab e Cristian Aquino apostaram na mesma fórmula ao fundar a startup VejoaoVivo. Aquino, que trabalhava com instalação de câmeras de segurança, certo dia ficou preso em um congestionamento e pensou que seria interessante utilizar a tecnologia de monitoramento em tempo real para obter informações sobre o que estava acontecendo. Hoje, o portal possui uma rede de quase mil câmeras que monitoram 24 horas trânsito, praias, aeroportos e outros pontos turísticos de diversos estados brasileiros.

“Com uma interface simples e apenas 25 câmeras instaladas em Joinville, chegamos a ter picos de 30 mil acessos diários”, conta Aquino. A partir desse momento, a startup expandiu sua ideia para mais de 110 cidades e hoje já recebe 15 milhões de visitas por mês.

Investimento

Há uma expressão americana que diz que apenas amigos, familiares e tolos apostam em uma ideia sem ter qualquer garantia. Por isso, uma startup precisa seguir todas as etapas anteriores para atrair capital.

Hoje já existem no Brasil diferentes perfis de investidores que colocam dinheiro nesse mercado. O investidor anjo é uma pessoa física que, em geral, injeta entre 100 mil reais e 1 milhão de reais em uma startup que está começando, em troca de uma participação no negócio. Há também as aceleradores, que apoia grupos de startups não só com capital, mas também com espaço de escritório e ajuda de mentores para desenvolver a ideia.

Para negócios um pouco mais maduros, que já saíram do papel e estão faturando, os fundos de capital de risco são uma opção. Reunindo dinheiro de diversos investidores, eles costumam fazer aportes maiores em troca de uma fatia menor do negócio.

 “Além de injetar recurso financeiro, os investidores auxiliam o empreendedor a amadurecer o negócio e servem de conexão com talentos, potenciais clientes e outros investidores”, diz Rigonatti.

Foi esse o caminho trilhado por L'Hotellier para desenvolver seu projeto. Ao todo, o GetNinjas conta com três investidores e já captou mais de 7 milhões de reais.

Realidade brasileira

Embora o número de investidores anjos, fundos e aceleradoras tenha crescido muito nos últimos anos, assim como o próprio número de empreendedores, o ecossistema de startups brasileiro ainda está em fase de amadurecimento.

“Em termos de produtos e serviços, o Brasil está 50 anos atrasado em relação aos países desenvolvidos. Há muita coisa ainda para se fazer aqui. O nosso grande problema é a burocracia e o excesso de impostos”, diz Ventura.

Já Gitahy defende que não existe lugar e época certos. Para ele, a criação de startups sempre será um bom negócio. “Em períodos de economia forte, busca-se inovações em escala - em períodos de crise, busca-se oportunidades para gerar mais renda ou reduzir custos de pessoas e empresas”, conclui.