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As 5 perguntas que mais me fazem na vida

Jonny Ken

Questões frequentes sobre o migre.me

Eu sou viciado em listas. Se eu estiver morrendo de sono, mas aparecer um programa com a chamada dos “Top 10 melhores macarrões da Dinamarca”, vou imediatamente perder o sono e vê-lo.

Hoje estava andando no metrô e lendo algumas listas sobre música e apareceu um tweet no smartphone:

“Jonny, você chegou a ganhar dinheiro com o migre.me?”

Aí eu pensei: “De novo essa pergunta? Acho se eu fizer uma lista das perguntas mais feitas...” e caiu a ficha! E se eu fizer uma lista com as perguntas mais feitas para mim, com respostas mais voltadas para o negócio, e não tanto com “informatiquês”?

Então, vamos lá! As Top 5 perguntas mais feitas para mim a respeito do migre.me!

5 - O migre.me usa algum framework? // O migre.me é feito em qual linguagem? E qual o banco? // Por que você usou PHP? Por que não usou MongoDB?

Eu programei o migre.me em PHP por um motivo extremamente simples: é a única linguagem que eu sei programar bem.

Começar um projeto do zero sozinho é EXTREMAMENTE diferente de fazer um projeto do zero dentro de uma empresa. Numa empresa você vai estudar quais são as melhores ferramentas, qual vai ter melhor performance, qual vai ser o menos custosa, qual vai facilitar o desenvolvimento em grupo etc.

Os projetos pessoais, normalmente, já começam com orçamento mais apertado. Mas como sobra vontade, cabe ao desenvolvedor escolher se quer fazer algo com o que ele conhece ou se quer usar o projeto para aprender algo novo.

No meu caso, como era meramente uma brincadeira, priorizei a velocidade usando uma ferramenta que eu já conhecia, escrevendo o código sem nenhum framework (era algo muito específico) e com o banco que eu sempre trabalhei. Todas as adaptações para resolver alguns gargalos provavelmente não existiriam se eu tivesse escolhido outra linguagem. Mas pode ser que, se eu tivesse escolhido outra linguagem, talvez o site sequer tivesse lançado. Ou por desânimo ou pela perda do timing.

4 - O que você fez ou não fez e faria diferente?

Eu já contei uma vez numa palestra sobre “10 grandes erros do migre.me” que comecei a empreender pelo motivo errado: estava de saco cheio do trabalho que eu executava. Nunca havia pensado em empreender, e só saí do mundo corporativo porque estava infeliz no trabalho. Em nenhum momento foi uma aposta por acreditar no projeto. Foi mais para me livrar do emprego.

Poderia ter sido blogueiro, podcaster, freelancer, trabalhar em outra empresa, dar aula etc., mas como “criar um novo Facebook” era a moda da vez na internet, acabei indo na onda. Então o que eu não deveria ter feito era ter mergulhado de cabeça no empreendedorismo, aceitando a primeira proposta que me pareceu boa. Deveria ter ouvido minha mãe, que não se cansou de me perguntar: “Você tem certeza MESMO?”

O que eu não fiz foi não assumir que certas coisas eu não sabia fazer. Por exemplo, vender comercialmente e cobrar os valores devidos. Sou péssimo na hora de cobrar, e muitas pessoas para as quais prestei serviço nunca me pagaram. Eu deveria ter contratado alguém para fazer isso.

3 - Quanto tempo você dedica ao projeto?

Hoje? Praticamente zero. Seis anos de projeto foram suficientes para ele ser estável a ponto de resolver quase tudo sozinho #Wolverine. A penúltima atualização foi no fim de 2014 para resolver um problema de banco e a última atualização foi em junho de 2015 para um script resolver sozinho possíveis problemas de disco cheio.

Por volta de 2013 existia um alarme em casa que disparava toda vez que o migre.me tinha um problema. Era muito comum minha mãe (60 anos) me ligar para avisar que o sistema estava apitando. E algumas vezes, inclusive, ela mesma resolvia acessando o painel for dummies que tinha feito para ela =D. Estou devendo uns cinco salários de analista de sistemas para ela <3.

2 - Você ganha dinheiro com o migre.me? // Você ficou rico com ele?

Acho que essa é a maior lição que eu tirei disso tudo: ganho direto não é tudo. Já vendi banner, ferramentas, relatórios personalizados etc. Tudo isso trouxe dinheiro diretamente para a conta da empresa, mas chegou um momento em que esse dinheiro não era suficiente para manter uma empresa. Claro que para um empreendimento com uma única pessoa era suficiente, mas não via crescimento a longo prazo.

Então aproveitei toda a mídia possível gerada ao redor do migre.me para vender a minha imagem “pessoa física”. Com isso fui convidado a palestrar, a escrever em blogs de grandes empresas, a aparecer em eventos (praticamente um ex-BBB), participar de entrevistas em TV e internet etc. Até de comercial acabei participando. E, o mais importante: aproveitei o tempo, principalmente, para aprender coisas novas fora de tecnologia e também conhecer muita gente interessante.

Então, posso dizer que o migre.me não me deu quase nada de dinheiro. Talvez, se o tivesse vendido por algumas merrecas, que eu provavelmente já teria gastado de maneira errada. Mas ele me deu MUITO ganho indireto. E isso foi muito importante quando resolvi voltar ao mercado de trabalho.

1 - Qual a maior lição que você tirou disso tudo?

Tenha sempre um bom advogado. Economize em tudo. Diminua o número de vezes que a diarista vai ao escritório. Faça marmita em vez de almoçar fora todos os dias. Desligue os computadores de noite. Faça de tudo para economizar onde der, mas não economize na parte jurídica. Um advogado de confiança vai falar todas as besteiras que você está fazendo e, mesmo que você fique emburrado, acredite nele.

E aí? Tem alguma pergunta? Escreva para mim, que eu tentarei responder!